Depois de escrever sobre as características físicas e a ocupação humana da Amazônia, hoje postarei a situação atual e também algumas conclusões e perspectivas.
SITUAÇÃO ATUAL
Mais de 20% do ecossistema Amazônia foi destruído nos últimos 40 anos. Esse processo segue em ritmo crescente. O que mais ameaça a Amazônia hoje são as queimadas, a pecuária extensiva, o agronegócio com a monocultura de soja para exportação, a exploração predatória das madeiras, a ocupação concentrada e desordenada das terras, a construção de imensas hidrelétricas para abastecer indústrias eletrointensivas.
Um pequeno punhado de capitalistas, brasileiros e estrangeiros, se beneficia dessa devastação, enquanto a maioria convive com o aumento da fome, miséria e desemprego, no campo e nas cidades.
A floresta em pé, a biodiversidade, os povos indígenas, os caboclos, os quilombolas, as comunidades tradicionais, tornam-se empecilhos ao capitalismo.
Modelos de intervenção equivocados, governos autoritários a serviço da classe dominante, monopólio dos meios de comunicação, violência dos capitalistas, impunidade, fundamentalismo religioso, invasão de empresas e governos estrangeiros, ações danosas de algumas ONG’s e fundações, são fatores aliados dos que ameaçam os povos da Amazônia e o próprio ecossistema.
Diversos tipos de unidades de conservação protegem, pelo menos no papel, cerca de 5,6% da área do ecossistema Amazônia. Embora nesse percentual não estejam incluídas as áreas indígenas, muitas delas se sobrepõem com as unidades de conservação, causando conflitos de interesses. Elos de ligação entre as unidades de conservação, e também teoricamente protegidos, os corredores ecológicos representam importantes zonas de conservação da biodiversidade.
CONCLUSÕES
A vocação da Amazônia é ser floresta. Qualquer atividade empreendida na região deve pressupor a floresta em pé. Isso não significa mantê-la necessariamente intocada, mas construir relações harmônicas entre o homem e a natureza, garantindo-lhe um uso sustentável. Propostas, sugestões e exemplos bem sucedidos, ainda que isolados, não faltam.
As futuras decisões só farão sentido se respeitados os direitos, as necessidades e a autonomia dos índios, caboclos, comunidades tradicionais. São eles os povos dotados de sabedoria acumulada e as principais interessadas na correção dos rumos.
Pouco ou nada melhorará se não forem alteradas as relações sociais existentes na região e no país. Enquanto prosseguirem o acúmulo de capital em detrimento da maioria, o processo de recolonização do país, a exploração econômica e opressão política do povo, não teremos avanços significativos.
O povo brasileiro pode e deve assumir a responsabilidade de salvar a Amazônia. É preciso romper esse circulo vicioso de desinteresse e desconhecimento. Fala-se pouco e conhece-se quase nada da região. Os brasileiros devem discutir, estudar, visitar, denunciar, se envolver, assumir a Amazônia brasileira. Mesmo porque, não faltam empresas e governos estrangeiros interessados, sobretudo os já instalados impunemente na região.
Mas não bastam ações individuais. Devemos priorizar a auto-organização e a mobilização social dos brasileiros. Ações locais e especificas precisam se articular com lutas mais amplas que questionem o modelo geral de dominação. Somente assim superaremos a apatia geral, salvaremos os ecossistemas e construiremos uma sociedade na qual haja harmonia nas relações entre os seres humanos e nas relações entre os seres humanos e a natureza.
Mostrando postagens com marcador Turismo. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Turismo. Mostrar todas as postagens
quarta-feira, 21 de julho de 2010
quarta-feira, 14 de julho de 2010
Por que os brasileiros não visitam a Amazônia? (parte 2/3)
Hoje postarei as características físicas e a ocupação humana da Amazônia. Na próxima postagem será a vez da situação atual e algumas conclusões.
CARACTERÍSTICAS FÍSICAS
O Ecossistema da Amazônia brasileira, exceto as zonas de transição ao Cerrado e à Caatinga, possui cerca de 3,7 milhões de quilômetros quadrados, 43% do território do Brasil, mais de 11 mil quilômetros de fronteiras internacionais, ocupando os estados de Rondônia, Acre, Amazonas, Roraima, Pará, Amapá e partes dos estados do Maranhão, Tocantins e Mato Grosso.
A Amazônia não é homogênea geograficamente. Inclui diversos tipos de relevos, solos, florestas, cerrados, várzeas, campos e zonas de transição. As matas de terra firme ocupam 96% da área. As florestas ombrófilas, densas e abertas, predominam em quase 80% da área do ecossistema sobre os campos e cerrados. Embora apresente altas temperaturas e umidade, típicas de regiões equatoriais, ela conta com variações climáticas, indo de regiões muito úmidas, praticamente sem períodos de seca, até as com estações secas longas e definidas.
Os milhares de rios e afluentes que cortam a Amazônia formam a maior bacia hidrográfica do planeta. Eles concentram perto de 20% das águas doces superficiais e líquidas da Terra. O potencial mineral da região ainda não foi completamente estudado e avaliado.
O diversificado solo amazônico caracteriza-se pela baixa fertilidade em 89% da área. A biodiversidade prospera principalmente devido à reciclagem dos nutrientes pelos seres vivos, vegetais e animais, próximos à superfície. O frágil equilíbrio do ecossistema garante a auto-sustentação pelas diversas cadeias alimentares que reaproveitam tudo, pelos ciclos da água, carbono e nitrogênio. As árvores contam com raízes pouco profundas, mais horizontais que verticais. Quando ocorrem desmatamentos, o solo fica exposto às chuvas e ao sol, provocando endurecimento do solo, erosão e remoção da fina camada de matéria orgânica. Em outras palavras, o ecossistema sobrevive somente com a floresta em pé.
Região de maior biodiversidade do planeta, porém pouco conhecida, a Amazônia contém mais de 25% das variedades de espécies vivas do planeta, distribuídas irregularmente e até endemicamente. Estimativas conservadoras dos números de espécies catalogadas apontam 1,5 milhão de vegetais, 3 mil de peixes, 163 de anfíbios, 500 de répteis, 950 de pássaros, 311 de mamíferos. Esses números crescem constantemente em função de novas pesquisas.
OCUPAÇÃO HUMANA
Contrariando as lendas, a Amazônia não era e nem é desabitada. Há pelo menos 12 mil anos existem vestígios de presença humana na região. Somente no vale do rio Amazonas, antes da invasão dos europeus no século XVI, viviam cerca de 1 milhão habitantes, distribuídos em mais de mil etnias e línguas diferentes, em complexas estruturas sociais e em total harmonia com a natureza. Era a região mais populosa do Brasil. Quase todos foram dizimados, pelas armas, doenças ou missões religiosas. Com eles perdeu-se a sabedoria adquirida em milhares de anos. Restam hoje apenas 210 mil sobreviventes em 150 povos distintos, 30% dos quais em áreas urbanas. A maioria encontra-se em situação desesperadora.
Estabelecidos nas várzeas dos rios, os caboclos ou ribeirinhos, os quilombolas, herdaram parcialmente os conhecimentos dos povos indígenas. Vivem integrados com a natureza e retiram dela o necessário para sobrevivência, sem destruí-la.
Durante séculos, depois do genocídio dos povos nativos pelos invasores europeus, a situação pouco mudou na Amazônia. A partir do fim do século XIX, com o ciclo da borracha, os olhos se voltaram para a região. Mesmo assim apenas parcialmente. Somente após o golpe civil-militar de 1964 passam a surgir estratégias de intervenção massiva, sempre sob o falso pressuposto de ocupar imensas áreas desabitadas. As conseqüências da entrada do capitalismo na Amazônia mostraram-se catastróficas.
Em quarenta anos a população da Amazônia multiplicou por quatro, atingindo 20 milhões e tornou-se majoritariamente urbana. Estima-se que mais de 1 milhão de pessoas migraram para a região nas últimas três décadas.
A grilagem de terras garantiu a invasão de milhões de hectares pelo agronegócio e grandes latifundiários, avançando sobre terras devolutas e pequenas propriedades familiares. A concentração da terra na mão de poucos deixa um rastro de sangue pelos constantes assassinatos de trabalhadores rurais ou os empurra para a periferia das cidades. Esses novos habitantes, vindo de outras regiões do país e mesmo estrangeiros, nada entendem da Amazônia e encaram o ecossistema original como obstáculo. As primeiras medidas para se considerarem proprietários das terras invadidas são a cerca e a derrubada da floresta.
continua...
sexta-feira, 9 de julho de 2010
Por que os brasileiros não visitam a Amazônia? (parte 1/3)
Dentre os brasileiros que conseguem viajar, poucos sonham em explorar a região amazônica. Comentam a respeito, elogiam as belezas naturais, criticam o desmatamento, falam disso e daquilo, emitem opiniões, inventam mil e uma desculpas, mas não vão até lá para ver e sentir.
O desinteresse pela Amazônia gera a ignorância. E a ignorância pela região realimenta o desinteresse.
Enquanto isso os estrangeiros, nem todos turistas e bem intencionados, entram e saem da Amazônia em atividades lícitas e ilícitas, sem qualquer fiscalização brasileira. A invasão de madeireiras, mineradoras, pecuária extensiva, monoculturas para exportação do agronegócio, de brasileiros e estrangeiros, devastam a região em velocidade espantosa.
Apresentarei aqui algumas informações sobre o ecossistema Amazônia visando despertar o interesse geral pela região, seja para turismo, engajamento social e político, estudos e pesquisas mais aprofundados ou simples curiosidade de cidadão.
Nas postagens seguintes detalharei o tema por partes. Além das impressões, observações e fotos colhidas em minhas inúmeras viagens à região, utilizei como fonte de dados O livro de Ouro da Amazônia de João Meirelles Filho, além de reportagens e artigos de edições passadas do jornal Brasil de Fato e da revista Caros Amigos.
Todas as fotos aqui exibidas são minhas.
Vou discorrer brevemente sobre as características físicas, a ocupação humana, a situação atual e arriscarei algumas conclusões.
Espero contribuir para o debate e estimular mais e mais pessoas se envolverem de fato com essa delicada questão. Sugestões e comentários serão sempre bem recebidos. Só não vale a indiferença!
continua...
quarta-feira, 16 de junho de 2010
Os Mitos do Turismo (parte 4/4 - Propostas)
Não basta constatar, analisar e criticar a situação atual do mitos do turismo vendidos pelo sistema. É preciso apontar propostas para sair desse círculo vicioso. Abaixo seguem sugestões para um turismo sustentável e a serviço das comunidades. A fonte do texto permanece a mesma citada na primeira parte desta série Os Mitos do Turismo.
Ainda que acréscimos e melhorias possam e devam aparecer, a atualidade e similaridade dos mitos e das propostas aqui apresentadas com a situação no Brasil são espantosas.
Boa leitura e mãos à obra!!!
=============================================
PROPOSTAS
Frente aos impactos negativos que determinadas formas de desenvolvimento turístico provocam entendemos que temos que resistir, fazer frente à venda e privatização dos nossos territórios e de nosso patrimônio. As comunidades têm direito de dizer não ao turismo, se assim decidirem.
Ao mesmo tempo, e se as pessoas desejam, determinadas formas de desenvolvimento turístico podem ser uma forma de diversificar e complementar as economias locais. O Turismo Comunitário pode ser a melhor forma de pôr em marcha atividades turísticas pelas comunidades rurais. Isso quer dizer:
- Um turismo gerido em comunidades rurais pelas famílias camponesas, por cooperativas agropecuárias, por povos indígenas.
- Um turismo complementar às atividades produtivas tradicionais, como a agricultura ou a pesca, não como substituto, mas como parte de uma estratégia de diversificação econômica.
- Um turismo de pequeno porte, e no qual a população local, através de suas estruturas organizativas, exerça um papel fundamental no seu controle e gestão.
- Um turismo que reforce instrumentos de organização coletiva.
- Um turismo que contribua para a manutenção da propriedade dos recursos essenciais, como a terra e a água, por exemplo, nas mãos das comunidades rurais, e que possa fazer parte de uma estratégia de resistência frente à pressão dos mega projetos turísticos e imobiliários que tratam de se instalar nos melhores lugares do território.
- Um turismo que vise a distribuição eqüitativa dos benefícios.
O Turismo Comunitário começa a ser uma realidade na América Latina. Povos indígenas e comunidades de camponeses de diversas partes da América Latina têm dado forma a esta proposta. Nesse sentido se destacam a “Declaração de Otavalo de turismo comunitário, sustentável, competitivo e com identidade” (setembro de 2001) e a “Declaração de San José sobre turismo rural e comunitário” (outubro de 2003).
Através dessas declarações as organizações de povos indígenas e comunidades rurais assinantes declararam o desejo de que o turismo possa incluir melhoras em suas condições de vida e trabalho na medida que seja uma atividade “socialmente solidária, ambientalmente responsável, culturalmente enriquecedora e economicamente viável”. E isso passa necessariamente, entre outras coisas, pela justa distribuição dos seus benefícios.
O Turismo Comunitário implica na autogestão da atividade turística, de tal forma que a comunidade assuma o controle de todos os processos de planejamento, operação, supervisão e desenvolvimento. Afirma-se assim a reivindicação do direito à propriedade e o uso das terras em territórios nas mãos das comunidades camponesas e povos indígenas:
“Consideramos que ao empreender qualquer atividade econômica, o turismo em particular, deve-se adotar uma política de planejamento e gestão sustentável dos recursos naturais. Queremos ser cautelosos no momento de construir nova infraestrutura ou de ampliar a existente. Recusamos vender ou ceder em concessão nossas terras a pessoas que não sejam de nossas comunidades. Desaprovamos toda decisão que contrarie este princípio” (Declaração de San José).
O Turismo Comunitário pode abraçar e estabelecer alianças com pequenas e médias empresas nacionais com o objetivo de elaborar uma proposta turística atrativa e economicamente sustentável.
“Façamos nossas próprias propostas e nos juntemos às redes de turismo rural e comunitário”.
Ainda que acréscimos e melhorias possam e devam aparecer, a atualidade e similaridade dos mitos e das propostas aqui apresentadas com a situação no Brasil são espantosas.
Boa leitura e mãos à obra!!!
=============================================
PROPOSTAS
Frente aos impactos negativos que determinadas formas de desenvolvimento turístico provocam entendemos que temos que resistir, fazer frente à venda e privatização dos nossos territórios e de nosso patrimônio. As comunidades têm direito de dizer não ao turismo, se assim decidirem.
Ao mesmo tempo, e se as pessoas desejam, determinadas formas de desenvolvimento turístico podem ser uma forma de diversificar e complementar as economias locais. O Turismo Comunitário pode ser a melhor forma de pôr em marcha atividades turísticas pelas comunidades rurais. Isso quer dizer:
- Um turismo gerido em comunidades rurais pelas famílias camponesas, por cooperativas agropecuárias, por povos indígenas.
- Um turismo complementar às atividades produtivas tradicionais, como a agricultura ou a pesca, não como substituto, mas como parte de uma estratégia de diversificação econômica.
- Um turismo de pequeno porte, e no qual a população local, através de suas estruturas organizativas, exerça um papel fundamental no seu controle e gestão.
- Um turismo que reforce instrumentos de organização coletiva.
- Um turismo que contribua para a manutenção da propriedade dos recursos essenciais, como a terra e a água, por exemplo, nas mãos das comunidades rurais, e que possa fazer parte de uma estratégia de resistência frente à pressão dos mega projetos turísticos e imobiliários que tratam de se instalar nos melhores lugares do território.
- Um turismo que vise a distribuição eqüitativa dos benefícios.
O Turismo Comunitário começa a ser uma realidade na América Latina. Povos indígenas e comunidades de camponeses de diversas partes da América Latina têm dado forma a esta proposta. Nesse sentido se destacam a “Declaração de Otavalo de turismo comunitário, sustentável, competitivo e com identidade” (setembro de 2001) e a “Declaração de San José sobre turismo rural e comunitário” (outubro de 2003).
Através dessas declarações as organizações de povos indígenas e comunidades rurais assinantes declararam o desejo de que o turismo possa incluir melhoras em suas condições de vida e trabalho na medida que seja uma atividade “socialmente solidária, ambientalmente responsável, culturalmente enriquecedora e economicamente viável”. E isso passa necessariamente, entre outras coisas, pela justa distribuição dos seus benefícios.
O Turismo Comunitário implica na autogestão da atividade turística, de tal forma que a comunidade assuma o controle de todos os processos de planejamento, operação, supervisão e desenvolvimento. Afirma-se assim a reivindicação do direito à propriedade e o uso das terras em territórios nas mãos das comunidades camponesas e povos indígenas:
“Consideramos que ao empreender qualquer atividade econômica, o turismo em particular, deve-se adotar uma política de planejamento e gestão sustentável dos recursos naturais. Queremos ser cautelosos no momento de construir nova infraestrutura ou de ampliar a existente. Recusamos vender ou ceder em concessão nossas terras a pessoas que não sejam de nossas comunidades. Desaprovamos toda decisão que contrarie este princípio” (Declaração de San José).
O Turismo Comunitário pode abraçar e estabelecer alianças com pequenas e médias empresas nacionais com o objetivo de elaborar uma proposta turística atrativa e economicamente sustentável.
“Façamos nossas próprias propostas e nos juntemos às redes de turismo rural e comunitário”.
segunda-feira, 14 de junho de 2010
Os Mitos do Turismo (parte 3/4)
Aqui vai a continuação da série Os Mitos do Turismo. Postei os três últimos mitos, 7, 8 e 9. Boa leitura e boas reflexões sobre o tema:
Sétimo Mito: FAVORECE O INTERCÂMBIO CULTURAL
Comumente se pensa que o turismo ajuda as pessoas no mundo a se conhecerem melhor e a romper os estereótipos culturais. Acredita-se que o turismo permite que os turistas e as pessoas do local conheçam outras maneiras de viver, de entender a realidade, de crenças e costumes.
O turismo pode ajudar no intercâmbio de informações, inclusive quando não existe uma comunicação oral pelas limitações do idioma, ou o turista permanece fechado numa redoma cultural como acontece nas viagens organizadas, ou no caso dos resorts “tudo incluído”, enclaves que oferecem restaurante e serviços de lazer necessários para passar as férias sem ter que sair do recinto do hotel. O problema é que a informação que se transmite pode chegar deformada.
O turista se aproxima dos lugares com uma imagem pré-definida do que vai encontrar. Essa imagem é difícil de romper, ainda mais quando a população e as operadoras de turismo locais se adaptaram a ela para assegurar o fluxo de turistas. Ou então, quando o turista aparece muitas vezes aos olhos das pessoas do local somente como um consumidor que conta com uma capacidade econômica e tempo para o lazer, quer dizer, como uma fonte de recursos. Desta maneira, uns criam estereótipos dos outros, e, quando tentam se relacionar, eles o fazem a partir de preconceitos.
Por exemplo, a difícil situação que se deparou Cuba com o fim da “Guerra Fria” favoreceu o reaparecimento da prostituição como oferta para os estrangeiros. Uma prostituição conhecida como “jineterismo”. O governo cubano reagiu estabelecendo duras medidas repressivas contra essa atividade. Essa política não foi capaz de freá-la, mas sim favoreceu a formação de um setor social marginal que se dedica à prostituição e a outros “negócios” com os estrangeiros. Diante dessa situação, boa parte da população cubana, especialmente a feminina, sobretudo nas regiões mais turísticas, acabou restringindo o contato com estrangeiros sob o temor de ser confundia e tachada de “jineteras”. Isso levou a que esse setor marginal tenha monopolizado as relações com os turistas, e que estes regressem a seus paises de origem com a idéia de que a maioria das mulheres cubanas é “jinetera”.
Em pouco tempo se consolidou a imagem de Cuba como a de um paraíso para o turismo sexual. Por outro lado, também se formou a imagem do turista em Cuba como alguém que vem em busca de sexo. E ambos os estereótipos se alimentam mutuamente: cada vez são mais os turistas que visitam Cuba com objetivos manifestadamente sexual e a oferta sexual é a primeira que recebe o turista nas ruas de Havana e de outros pontos turísticos do país.
A relação que se estabelece entre o turista e a população anfitriã, portanto, só pode se tornar deformada. Fatores que dificultam o intercâmbio, como o tipo de viagem, sua curta duração, a existência de preconceitos anteriores ao contato ou os obstáculos culturais e lingüísticos, podem levar, tanto o habitante local como o turista, a recolherem pinceladas descontextualizadas de informação, e acabam criando ou consolidando características e imagens estereotipadas do “outro”, que se supunha que o turismo deveria combater.
Oitavo Mito: É A CHAVE DO DESENVOLVIMENTO
Muitos políticos dizem que o turismo pode ser o motor do desenvolvimento dos países, ou inclusive de uma determinada região, e que temos que apostar todas as nossas fichas porque ali está nossa salvação.
Sem dúvidas, em determinadas regiões onde o turismo se desenvolveu podemos observar como ele acabou gerando problemas muito similares aos gerados pelas economias agro-exportadoras baseadas em monoculturas como o algodão, o açúcar, o café e muitas outras, sobre as quais sabemos muito bem na América Central e no Caribe.
Por exemplo, a especialização turística, da mesma forma que as monoculturas, depende fortemente dos preços do mercado internacional, muito flutuantes e que se estabelecem nos lugares de origem dos turistas e que, sobre os quais, nossos países não possuem nenhum controle. Então, quando sobem os preços dos combustíveis e os bilhetes aéreos ficam mais caros pode diminuir drasticamente a chegada de turistas.
Essa escassa diversificação impede que a região possa reagir caso ocorra algum problema com o turismo.
Além disso, há outro problema que os políticos raramente dizem. Os destinos turísticos têm um ciclo de vida. Não podem crescer sempre, indefinidamente. No final o próprio desenvolvimento turístico esgota as possibilidades para que o negócio continue.
Nono Mito: REDUZ A POBREZA
Ultimamente, um dos mitos que mais se escuta é que o crescimento do turismo gerará bem estar ao conjunto da população e ajuda a reduzir a pobreza. Na comunidade internacional está na moda o chamado enfoque “pró-pobre”. Esta teoria considera que o crescimento da atividade turística, de qualquer tipo, pode reduzir a pobreza e, portanto, estimular propostas para que os “pobres” possam participar nessa fonte de riqueza.
O enfoque “pró-pobre” parte de uma visão equivocada, ao nosso ver. Não considera, nem quantifica, os impactos negativos que o turismo pode gerar, que, como vimos, não são poucos. Além disso, parte de uma visão muito simples de pobreza. A pobreza não depende apenas da quantidade de dinheiro obtido e do nível de bem estar alcançado, mas sim do papel das pessoas dentro da sociedade. Se a entrada de dinheiro não vem acompanhada de uma redução das desigualdades e de maior poder para decidir sobre as coisas que afetam as pessoas, então não há redução real de pobreza, as pessoas sempre se mantêm em uma situação de marginalidade frente aos que têm o poder. O enfoque “pró-pobre” não leva em conta esse problema e, de fato, com suas aplicações, vai acabar ajudando a aumentar as diferenças sócio-econômicas entre os de cima e os de baixo.
“Pois guarde o que as pessoas das comunidades garifunas da Baía de Tela, em Honduras, nos contaram que eles estão lutando contra um mega projeto turístico que lhes querem impor. Contaram que esse projeto se chamava “Los Micos Beach & Resort Centre”, como se as pessoas dali fossem macacos! Pois bem, acontece que enquanto eles estão no meio da luta, uns da comunidade, holandeses parece, andam apoiando a construção do resort porque vai reduzir a pobreza, dizem”.
O papel do turismo na redução da pobreza, na realidade, é muito mais complicado. O turismo, como qualquer outro setor econômico, pode contribuir para o desenvolvimento de uma região ou gerar impactos altamente negativos. Tudo depende do modelo aplicado e de sua gestão. Mas, historicamente, a tendência tem sido provocar mais problemas que soluções, especialmente aos setores da população mais vulneráveis e aos ecossistemas. A relação entre o turismo e a redução da pobreza é mais complexa.
Devemos entender o turismo como um espaço de conflito social. Em torno da gestão e da escolha do modelo da atividade turística entram em competição e contradição diferentes interesses de setores sociais distintos: pelo uso dos recursos naturais, econômicos e humanos, pela divisão dos benefícios ou pela distribuição dos efeitos colaterais que o turismo gera.
Continua...
Os Mitos do Turismo (parte 2/4)
Aqui vai a continuação da série Os Mitos do Turismo. Postei os mitos 3, 4, 5 e 6. Boa leitura e boas reflexões sobre o tema:
Terceiro Mito: MODERNIZA INFRAESTRUTURAS
Foi dito que o desenvolvimento do turismo permite a modernização das infraestruturas, especialmente as de transporte: estradas, aeroportos e portos. Porém essa modernização se realiza segundo as prioridades turísticas e não buscando um desenvolvimento local equilibrado com as atividades produtivas.
Outra coisa que pode acontecer é que as obras caras que foram construídas com dinheiro público atendem apenas a uma minoria. Os gastos são públicos, mas, sem dúvida, o beneficio é privado.
Quando um local turístico perde clientes, ou diminuem as visitas, as estruturas e construções podem ficar sem nenhuma utilidade, ou serem demasiado grandes e caras para sua manutenção. Sem falar no impacto ecológico que provoca. O país sofre a perda dessas obras que, na maioria, foram construídas com dinheiro público.
“Eu estive na Costa Rica. Trabalhei em Tamarindo, no litoral. O lugar era muito bonito, mas um dia conheci uma senhora que era professora e me contou que as pessoas na comunidade de Lorena estavam muito indignadas com os donos do Hotel Meliá Conchal. Acontece que um dia descobriram que os donos do hotel desejavam desviar a água do aqüífero Nimboyores para distribuir para eles. E iam deixar a população da comunidade sem água! Mas a senhora me contou que a comunidade se organizou, protestou muito e conseguiu que, pelo menos por enquanto, o hotel não os incomodasse mais”.
Quarto Mito: DÁ MAIS VALOR AOS RECURSOS LOCAIS
Diz-se que o turismo contribui para dar mais valor aos recursos locais (como a terra e a água, por exemplo). Sem dúvida, essa valorização muitas vezes vem acompanhada da elevação dos preços. O crescimento do número de turistas pode fazer com que subam os preços de produtos e serviços, como comer em restaurantes ou lavar a roupa em uma lavanderia.
O aumento do preço da terra, por exemplo, pode ter efeitos negativos. Por um lado, alguns setores da população podem se ver obrigados a emigrar, talvez não por falta de emprego ou desejo de melhorar economicamente, mas sim porque o preço da terra e da habitação aumentou tanto que ultrapassa o próprio poder aquisitivo. Por outro lado, pode levar ao abandono de setores produtivos tradicionais como a agricultura: quando o preço da terra ultrapassa determinado valor, ao trabalhador rural acaba sendo mais vantajoso vender sua propriedade do que ficar trabalhando na terra.
O processo de elevação dos preços também se dá nos bens e serviços de consumo. Tanto nas zonas rurais como nas cidades, espaços que antes eram para todos acabam sendo somente para turistas, devido aos altos preços dos serviços ali oferecidos: acesso a praias, comida, sacadas de bares, restaurantes em zonas centrais, etc..
“Um dia nos fomos com a família passear em Granada e ver como a cidade está bonita. Mas no centro não havia onde comer, tudo estava em dólares e era caríssimo. No final, comemos onde uma senhora, já bastante longe, nos contou que a maioria das casas no centro de Granada está ocupada por estrangeiros e que ninguém pode viver ali, que tudo é muito caro”.
Quinto Mito: EQUILIBRA A BALANÇA DE PAGAMENTOS
Crê-se que o turismo equilibra a balança de pagamentos de um país, ou seja, a relação da quantidade de dinheiro que um país gasta no exterior e a quantidade de dinheiro que vem de outros paises. Trata-se de um recurso fácil e rápido de explorar, que gera receitas muito superiores ao investimento necessário. Muitos governos o consideram como a melhor forma de pagar a sua dívida externa.
Porém o certo é que são as transnacionais do turismo de capital ocidental, proprietárias das principais companhias aéreas e das grandes redes de hotéis, as que controlam, gerenciam e retém a maior parte dos lucros do turismo internacional (fugas externas).
Esta remessa de lucros se acentuou desde a década de 1980 e de 1990, devido às privatizações e à abertura de mercados propiciada pelas políticas neoliberais que os paises do hemisfério Sul foram obrigados a adotar. O Acordo Geral Sobre Comércio de Serviços, estabelecido há alguns anos pela OMC (Organização Mundial do Comércio), está sendo a última fase desse processo. O Acordo pretende acabar com políticas protecionistas que permitiram a alguns países manter certo controle sobre o setor turístico mediante diversos mecanismos, como a restrição à propriedade estrangeira. O Acordo garante às empresas estrangeiras os mesmos direitos que às empresas locais e as libera de todas as restrições, como a obrigação de utilizar produtos locais.
O resultado é que boa parte dos gastos realizados pelos turistas acaba engrossando as economias dos países ricos. Em média, 55% do gasto realizado pelos turistas em suas viagens a paises do hemisfério Sul permanece ou retorna aos paises do hemisfério Norte, porcentagem que atinge 75% em alguns países da África e Caribe. Somente uma parte marginal dos benefícios fica nos países anfitriões.
“O dinheiro é levado pelas empresas estrangeiras como a rede Hilton, da família da perua que nunca trabalha e vai herdar tudo”.
Sexto Mito: PROTEGE O MEIO AMBIENTE
Afirma-se que o turismo é uma indústria “limpa”, que favorece a preservação do meio ambiente. Até o denominam de “indústria sem chaminés”. Sem dúvida, o turismo de massas tem se mostrado muito agressivo como os ecossistemas e com os recursos naturais, já que se baseia numa intensa concentração de pessoas e serviços em um espaço limitado, com necessidades e exigências superiores àquelas que podem oferecer os recursos naturais, tais como eram utilizados anteriormente.
Por exemplo, no litoral o ecossistema de praia natural se perde em favor de uma determinada concepção estética de praia recreativa. De imediato se destroem os manguezais, uma das principais barreiras naturais contra os maremotos e furacões. Limpam-se as praias e removem suas areias com freqüência, impedindo o crescimento de vegetação própria das praias. E tudo para que o turista veja a praia bonita, tal como aparece nas fotos dos catálogos publicitários.
O caso da água é exemplar: quanto maior a população, maior o consumo de água. Quando se supera a capacidade hídrica da região, as populações próximas, os ecossistemas ou setores como a agricultura, se vêem com pouca quantidade de água e abaixo de suas necessidades.
Os núcleos turísticos geram enorme quantidade de resíduos e emissão de gases poluentes que podem diminuir a qualidade do ar e da água. Nas primeiras fases do desenvolvimento turístico, a não ser que previamente se estabeleça um ritmo de crescimento, os resíduos são assimilados de maneira tradicional pela própria região turística, lançando-os nos rios e mar.
“O meu tio me disse que em Cancun, na alta temporada, talvez haja uns 50.000 turistas e na cidade cerca de 800.000 pessoas. Um grupo ecológico fez um estudo e comprovou que esta quantidade de turistas gerava a mesma quantidade de lixo que toda a população de Cancun. Ele me contou que entregam aos turistas as coisas sempre empacotadas. Atende-los assim gera muito lixo e que quando eles partem, claro, não lhes entregam sacos para eles levarem de volta o lixo às suas casas. Assim os hotéis enchem caminhões e caminhões de lixo”.
Continua...
quarta-feira, 2 de junho de 2010
Os Mitos do Turismo (parte 1/4)
Eis aí um texto muito didático, simples e que toca em pontos fundamentais da questão dos mitos do turismo. É de uma entidade nicaraguense que o elaborou na forma de uma cartilha de fácil entendimento. Acho que se aplica como uma luva ao Brasil. Segue abaixo a tradução livre de parte do obtido no endereço : http://www.fundacionluciernaga.org/download/comic.pdf. Lá também há desenhos bastante explicativos.
Para a postagem não ficar muito longa, aparesentarei o texto em partes.
Todas as fotos aqui exibidas são minhas.
Boa leitura e ótimas reflexões.
==========================================================================
INTRODUÇÃO
Do turismo se dizem muitas coisas. Algumas certas, outras falsas. Há aqueles que estão interessados em apresentá-lo como a tábua de salvação para um país. Consideram que não há outra alternativa e que o turismo resolverá todos os males. E se é assim, dizem, tem que fazer qualquer coisa para atrair os investimentos estrangeiros. Os argumentos que eles utilizam são variados.
OS MITOS DO TURISMO
Primeiro Mito: GERAR EMPREGOS
O turismo é considerado como um setor que gera muitos empregos, tanto nos postos que requerem as instalações turísticas (hotéis, apartamentos, restaurantes), como nos que facilitam a chegada dos turistas (construção civil, transportes, agências de turismo, casas de cambio, seguros) e os que surgem da demanda dos empregados diretos e indiretos do turismo (comércio, bancos, espetáculos, etc.).
Porém nem tudo é tão bonito. Deve-se olhar mais longe e observar como são esses empregos.
Quanto às características dos empregos:
Inicialmente, boa parte das vagas que o turismo cria requer pouca qualificação (seja nos trabalhos da construção ou nos escritórios). Mas logo a situação se complica.
Quando um lugar se desenvolve turisticamente é necessária mais qualificação e profissionalismo para manter o prestigio e poder competir com outros destinos turísticos. Então exige pessoal mais preparado. E esta necessidade se preenche trazendo gente de fora do lugar, ou até de fora do país, ou investindo na população local. Surgem assim escolas de construção civil, faculdades de turismo, de administração de empresas, escolas de idiomas, etc.. Porém, a maior parte do capital investido na formação dos trabalhadores não vem das empresas (que são as que mais se beneficiam dela), mas sim do Estado (no caso das universidades e escolas públicas) e muitas vezes dos próprios bolsos dos estudantes que se formam.
Quando a população local consegue os empregos qualificados, as funções mais simples são assumidas por imigrantes de regiões e países mais pobres, de maneira que a estrutura social se torna mais complexa, com o aparecimento na região de um grupo de população imigrante muitas vezes de poucos recursos e marginalizada.
Quanto às condições de trabalho:
O emprego não qualificado do turismo se caracteriza por baixos salários, ocupações temporárias, alta rotatividade, longas jornadas de trabalho e escassas condições de segurança. Isto é grave principalmente na construção civil.
Além disso, os trabalhadores encontram dificuldades de defender seus direitos. Muitas vezes os sindicatos são proibidos nos lugares turísticos ou são sindicatos pelegos e corruptos a serviço das empresas.
E também o emprego no turismo é muito instável, já que é um setor fortemente dependente do exterior, como, por exemplo, quando aumenta o preço dos combustíveis, sobem os preços das passagens aéreas a um determinado destino e cai o número de turistas.
“Meu tio que vive no México me contou que em Cancun os trabalhadores que protestam contra algo são demitidos e postos em listas negras, não encontrando mais emprego na cidade. Além disso, as pessoas vivem em bairros periféricos por anos, sem água, enquanto juntam dinheiro para comprar sua própria casa. Mas muitos passam a vida toda nesses infernos. Que horrível!”.
Segundo Mito: IMPULSIONA OUTRAS ATIVIDADES
Diz-se que o turismo impulsiona outras atividades produtivas, como, por exemplo, a construção civil. Mas, ao mesmo tempo, o turismo põe em risco outras atividades tradicionais, geralmente do setor primário, a agricultura ou a pesca, na competição por recursos naturais como terra e água.
O turismo pode alterar a maneira da orientação dos gastos públicos, favorecendo aqueles serviços de maior interesse para o setor turístico e prejudicando os demais. De fato, o turismo se sustenta muitas vezes graças ao uso de dinheiro público.
A criação de empregos no turismo muitas vezes passa pelo abandono de setores tradicionais como a agricultura e a pesca. Nesses casos, não é que o turismo gere novos empregos, mas sim que substitui os que já existiam e incentiva o êxodo rural. Isto pode causar um desequilíbrio geográfico: zonas rurais abandonadas e crescimento desordenado nas periferias dos núcleos turísticos.
“Pois eu conheci uma garota da República Dominicana que me contou que lá muitos trabalhadores rurais tiveram que abandonar suas terras. E que já não podem viver da agricultura porque o seu governo forçou tanto a importação de alimentos dos Estados Unidos que os camponeses dominicanos não conseguem sobreviver. Assim muitos foram viver nas cidades ou perto das zonas hoteleiras e ali tentam ganhar a vida como podem”.
=========================================================================
Continua...
quarta-feira, 19 de maio de 2010
Vamos praticar um turismo sustentável?
Bom dia viajantes!!!
Estou aqui para me comunicar com todos os interessados em viagens e, sobretudo, aqueles preocupados com os impactos socioambientais que o turismo de massa causa às zonas urbanas, à natureza, às comunidades tradicionais, às culturas locais.
Em países com profundas injustiças sociais decorrentes do sistema econômico, político, social, cultural e ambiental, qual deve ser a prioridade das políticas públicas? Infraestrutura em turismo ou os gastos sociais que melhorem a vida da maioria da população?
Como se deve comportar o viajante diante dos locais visitados? Quem deve se adaptar a quem?
A viagem deve se restringir apenas à visitação das atrações turísticas, fotografar, fazer compras? E aprender e apreender a realidade local com os moradores?
Vamos lá, enriqueçam esse debate com informações, opiniões, depoimentos, fatos, etc.
Todas as fotos aqui exibidas são minhas.
Abraços!
Assinar:
Postagens (Atom)