sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

Três Anos no Sertão da Bahia (parte 2/6)

...continuação
 
O TRABALHO DE CAMPO
 
Minhas atividades profissionais naquela empresa da Bahia alternavam entre serviços de campo, nas quais passava a maior parte do dia, e trabalhos de escritório, quando estudava, planejava e analisava as informações coletadas, elaborando mapas e secções geológicas, relatórios legais aos órgãos competentes do governo federal.
No campo, eu caminhava por picadas previamente abertas pelos técnicos de mineração, descrevendo observações visuais e coletando amostras para análises posteriores. Lançava-as em mapas topográficos preliminarmente sobre papel vegetal. Fechava a malha das trilhas nas áreas consideradas positivas e as detalhava em mapeamentos subsequentes. Providenciava a abertura de trincheiras nas zonas com ocorrência mineral, acompanhadas de furos de sondagem rotativa a fim de investigá-las em profundidade.
Eu vestia perneiras de couro duplo até a altura dos joelhos, me precavendo contra as cobras muito comuns na caatinga. Os colegas do alojamento debochavam das perneiras e das minhas solicitações de soro antiofídico. Até riram nas duas ou três vezes que mostrei as marcas de presas nas perneiras decorrentes de botes de jararacuçu. A tal valentia sertaneja, porém, se calou quando o filho de um funcionário foi picado pela mesma variedade de cobra. Assim que soube do acidente, eu ordenei ao motorista que voasse à casa da família do menino, munido de soro e injeção. A aplicação em tempo do soro anulou a ação do veneno e salvou a vida do garoto.
Ziguezagueando pelas picadas, vez ou outra eu cruzava roças, pequenas propriedades, casebres paupérrimos, rios e riachos geralmente secos. A situação se agravava ao me deparar com plantações de sisal. Como contrapartida à permissão em entrar nas propriedades, a empresa de mineração preservava a plantação, interrompendo a picada ao longo da área plantada, retomando-a do outro lado.

Dificilmente eu encontraria a continuação da picada se contornasse a plantação, de grandes extensões e de formatos imprevisíveis. O jeito era percorrê-la por dentro, me orientando pelo bom senso, até reencontrar a picada. Mas era complicadíssimo atravessar por entre os pés de sisal, dotados de folhas enormes, rígidas e pontudas, que se entrelaçavam à altura e acima do meu corpo. Eu tentava afastar as folhas com os dedos de ambas as mãos. Mas as folhas escapavam e me chicoteavam com as pontas, me furando por cima da camiseta, ficando, ainda que superficialmente, cheio de pontos de sangue. Mais zonas críticas adiante, mais perfurações, mais sangue, mais ardor agravado pelo suor. Não restavam alternativas, senão ultrapassar o mais rápido possível, sem perder a orientação.

Além das plantações de sisal, surgiam, no meio da caatinga nativa, concentrações de calumbis, arbusto de galhos alongados e flexíveis, recheados de espinhos curvados no sentido contrário ao que eu caminhava. Assim que eu esbarrava em um galho, os espinhos me agarravam e me prendiam. Ao tentar me libertar, os demais galhos forrados de espinhos me abraçavam devido ao balanço que eu provocava naquele e nos arbustos ao redor. Era como numa armadilha. Pontas de sangue, riscos avermelhados pelos braços e pescoço, camiseta em farrapos. Haja calma para retirar os espinhos enfiados no meu corpo, afastar cuidadosamente os galhos flexíveis, executar acrobacias, avançar e, o mais rápido possível, me ver livre dali.

Abundavam também acidentes com espinhos de palmas e xique-xiques. Ou com espinhos e folhas que ardem na pele, vindas de arbustos e árvores como cansanção, urtiga e, sobretudo, favela. Eram comuns longos trechos onde não havia trilhas ou caminho confiável, apenas veredas de bodes e cabras. Enfrentava a vegetação no peito e na raça, atento a não perder a direção desejada. Meu estoque de camisetas sumia em três tempos, sem falar na sensação na irritação da pele suada sob aquele sol de rachar mamona.

De vez em quando eu cruzava com sertanejos circulando pela região. Afinal de contas, a empresa de mineração invadia e abria picadas na terra deles. Embora ouvisse casos de atritos pesados, eu jamais tive problemas ao encontrá-los. Quem mais criava obstáculos eram os latifundiários, os grandes fazendeiros, jamais os agricultores de subsistência. Os pequenos trabalhadores rurais cumprimentavam, me chamavam para conversar, curiosos em ver um tipo tão estranho caminhando por aquelas paragens. Eu aproveitava para descansar e absorver um pouco da sabedoria secular deles, a respeito do clima, terra, fauna, flora, fome, injustiça social, perseguição dos latifundiários e abandono pelos governos, mas principalmente a perseverança que as coisas iriam melhorar.

Também cruzava com crianças, assustadas ou intrigadas pela minha presença. Muitas me pediam a benção. Eu invariavelmente me atrapalhava e, sob a pressão de responder qualquer coisa, acabava falando besteira. Houve oportunidade em que, ao pedido da benção da criança, eu respondi: “obrigado!”. Tempos depois, levemente desconfiado de que aquela não tinha sido a resposta esperada, devolvi diante de outra criança que me pediu a benção: “para você também!”. Os passarinhos e as expressões embaralhadas das crianças me sinalizaram que eu novamente não acertara.

Eventualmente as áreas a serem pesquisadas se situavam distantes da sede do alojamento, impossível de ir, trabalhar, e voltar no mesmo dia. Nesses casos eu e o motorista nos transferíamos à cidade mais próxima do local, nos hospedando em hotéis ou em qualquer buraco onde fosse possível dormir. Entre as vilas e cidades nas quais me instalei esporadicamente, estão Curaçá, Queimadas, Santa Luz, Camandaroba. Vamos a elas.

Na margem direita do rio São Francisco, de frente ao estado de Pernambuco, a meio caminho entre Juazeiro e Paulo Afonso, a então pequena e pacata cidade de Curaçá logo me conquistou pelo jeito tranquilo e acolhedor. Logo na primeira noite, quando descansávamos o esqueleto nas cadeiras postadas na calçada em frente ao único hotel disponível, o delegado local nos visitou, nos entrevistando, nos investigando sobre o como e os porquês. De nada adiantou eu repetir que a empresa de mineração na qual eu trabalhava prospectava minério de cromo. Ele insistia que eu viera ali a fim de encontrar ouro. Mas mostrou-se simpático e agradável. Até nos convidou a conhecer a delegacia da cidade, com instalações impecáveis, destacando as celas, completamente vazias, sem ninguém detido. Segundo o delegado, Curaçá se orgulhava de comemorar um ano ou mais sem ocorrências policiais. Ou eu estava em oásis de doçura no meio do sertão nordestino ou o sujeito não prendia ninguém.

As águas azuladas do rio São Francisco forneciam atmosfera ainda mais bucólica à sempre limpa e bem cuidada cidadezinha de Curaçá. Mas o calor massacrava qualquer cidadão. Mesmo à noite, as temperaturas permaneciam acima dos 30 graus. A ausência de mosquitos permitia as janelas abertas no quarto do hotel, o que amenizava o calor, em dois por cento no máximo. Daí a população da cidade brotar às ruas e praças após o sol se pôr. Cadeiras nas calçadas, passeios pela margem do rio, mergulhos nas águas escuras, os raros bares animados. Todos queriam ficar ao ar livre durante a noite. Eu acompanhava os moradores e circulava pela cidade.

Nessas incursões, conheci duas lindas garotas, ali pelos dezoito ou dezenove anos de idade. Me entusiasmei e a recíproca parecia verdadeira. Uma delas aparentemente me escolheu. Quase como namorados, sentávamos coladinhos, aproximando nossos rostos e lábios. Mas foi exatamente aí que o problema começou. Um problema insolúvel. O rosto doce, o olhar terno, os cabelos soltos, os lábios carnudos, a voz suave, nada impediria o efeito devastador do hálito dela. Hálito de coisa podre. Nem precisava ela falar ou expirar, mas apenas abrir levemente os lábios e permitir que os interiores se comunicassem com os exteriores. Situação catastrófica, insuportável. Sabia que não aguentaria por muito tempo. Deixei a coisa esfriar, me afastando gradualmente, sem elas perceberem o motivo. Inevitável. Nunca nutri paixões por bueiros.

Outro destino de trabalho, Queimadas, se situava no sul do sertão de Canudos. Extremamente limpa, bem arrumada, a cidade de cerca de dez mil habitantes contava com as árvores nas ruas e praças desgraçadamente podadas geometricamente, mania absurda dos interiores brasileiros. Era a principal produtora de derivados de sisal do Brasil, sobretudo cordas e afins. E também o município recordista em manetas. Sim, pois as máquinas de beneficiamento da planta, desprovidas de normas de segurança, agarravam as mãos e braços dos trabalhadores. Bastava cochilarem ou permitirem segundos de desatenção, para perderem partes ou o todo dos membros superiores. Os fazendeiros e proprietários do maquinário pouco se lixavam para a carnificina. A impunidade e o descumprimento dos direitos trabalhistas lhes garantiam a tranquilidade de que nada aconteceria e os lucros continuariam.

Eu e o motorista nos hospedávamos em hotelzinho razoável no centro de Queimadas, cuja proprietária, orgulhosa com minha presença, preparava saborosos ensopados de tatu e de rim de porco. Pouco convivi com os moradores da cidade, mais retraídos e em casa à noite. As raras garotas vistosas não passaram de alucinações passageiras. Eu permanecia, então, na sacada da frente do hotel em meio aos outros hóspedes, excelentes contadores de histórias, invariavelmente apimentadas de machismos e valentias difíceis de engolir. Vez ou outra aparecia o ancião da cidade, com mais de oitenta anos. Ao contrário das lorotas dos demais, ele convencia com relatos de fatos da época de Lampião, de quem foi bem chegado e com quem estabeleceu laços comerciais e de amizade. Independente de favoráveis ou não ao capitão do sertão, Lampião inspirava a todos os presentes respeito e admiração, quase veneração divina.

Ainda mais ao sul que Queimadas, Santa Luz, cidade pouco maior, mais movimentada e praticamente fora da região sertaneja. Por vezes permaneci dias ali avaliando supostas ocorrências de cromita e também mapear áreas solicitadas para pesquisa mineral.

Acabei me relacionando com uma garota de Santa Luz. Sempre namorávamos quando eu voltava à cidade. Mesmo depois de eu deixar a empresa e me mudar da Bahia, o caso rendeu cartas e mais cartas, promessas de reencontros futuros, de formalização do namoro da parte dela, leia-se aí noivado ou algo mais grave. O tempo se encarregou de instigar reflexões e fazer com que, aos poucos, caíssemos na real, esquecendo os planos mirabolantes. E esquecendo um do outro.

Camandaroba era localidade mais próxima da sede do alojamento, mas pela grande quantidade de áreas de pesquisa, optamos por montarmos base na vila, pertencente a outro município. Contava com açude artificial, cultivo de peixes e nada mais de promissor. Além da rua principal, de terra, que também servia de eixo da barragem e de estrada entre Itiúba e Cansanção, Camandaroba revelava esparsas construções de madeira, muita poeira, miséria e abandono, sujeira atacada pelos urubus. Embora a melhor do vilarejo, a pensão na qual costumava ficar apavorava em todos os aspectos. Instalações precárias e sujas, banheiro coletivo repugnante, quartos em péssimo estado. A comida, repetitiva e mal preparada pela dona, mais chegada em intrigas e fofocas pesadas, tirava a fome de qualquer cidadão. Um danado de pedaço de bode, insistente como só ele, reaparecia a cada noite, no mesmo formato e posição, de aspecto nada convidativo. Ninguém tocava no tal pedaço de bode. O bode recorrente. E me obrigava a matar a fome de maneiras alternativas.

O marido da dona da pensão decrépita, idoso e bem mais velho que ela, sofria nas mãos da megera, inerte, inválido na cadeira de rodas. Ela o provocava diante dos homens, humilhando-o pelo fato de ele nada fazer, especialmente quanto ao sexo. De aparência física como a própria pensão, a dita cuja não conseguia nada com ninguém, enfurecendo-a ainda mais e atirando-a com mais ódio ao marido. Adorava cantarolar versos de canção de sucesso de Amado Batista, repetindo o refrão que ansiava voltar ao passado, aumentando a voz da cantoria, cutucando o pobre coitado por sobre o pijama velho e sujo. Naquele ano, Amado Batista explodia em vendagens de discos, enchia os bolsos de dinheiro, comprava fazendas e aviões, enquanto os fãs não se cansavam de ouvir letras chorosas e trágicas como na intitulada Amor Perfeito.

OS COLEGAS DE TRABALHO

Intercalado com os trabalhos de campo, eu permanecia no alojamento analisando as informações coletadas, elaborando mapas e relatórios no escritório, projetando novas explorações, ao lado dos colegas de trabalho. Nesses momentos travava maior conhecimento com o contador, o desenhista e, principalmente e infelizmente, com o gerente e geólogo.

Cearense do interior, o tal gerente exibia no aspecto físico, de ideias, comportamento e maneiras de se relacionar com os demais funcionários, o estereótipo do machista, autoritário, grosseiro, arrivista. Evitávamos confrontos abertos, mas jamais me deixei levar, como os demais funcionários, pela submissão e veneração às atitudes dele. Obedecia, é verdade, afinal era funcionário da empresa, mas não admitia os excessos de capataz do individuo. Fanático por caçadas, sempre acompanhadas de espingardas, cartuchos, garrafas de bebidas alcoólicas e dos inseparáveis cães perdigueiro, eu o batizara de perdigueiro frustrado. Somente com estômago forte, eu não vomitava nas manhãs de segunda-feira, ao ouvir as estórias monótonas das caçadas durante os finais de semana, contadas nos mínimos detalhes e recheadas de rompantes de grande sujeito. Tratava melhor aos cães perdigueiros que a mulher e a filha pequena. Presenciei tais cenas ao passar por Juazeiro, cidade onde moravam. Invariavelmente embriagado, ele enxotava violentamente as duas da sala, vociferando que ali não era lugar de mulher, obrigando-as a se refugiarem na cozinha ou nos quartos.

O desenhista, morador da cidade de Campo Formoso, puxava escancaradamente o saco do chefe nos assuntos de caçada, nas gargalhadas forçadas diante das piadas do chefe, até nos gostos e opiniões sobre tudo na frente do chefe. Na ausência do capo, no entanto, o desenhista posava de independente, dono das próprias ideias, até criticando certas posições da empresa. Se orgulhava de entender de diversos assuntos, inclusive aqueles com os quais jamais tomara contato. Mas ao ser questionado, pigarreava tentando retomar desesperadamente o fio da meada das balelas. Não era antipático, nem tampouco chato ou inconveniente, apenas exigia a cautela de todos no que e como falar. Como a maioria, fumava demais e se embebedava aos fins de semana. Como a maioria, raramente comia verduras ou frutas. Como a maioria, se entupia de café e adorava comida gordurosa pela manhã. Como a maioria, não conseguia entender porque vivia sob uns constantes sintomas de azia e demais problemas estomacais. E se regozijava durante as refeições assim que eu lhe oferecia a travessa de salada: “Não sou coelho para comer folha!”. Eu também ria, transferindo ao meu prato todas as verduras frescas.

Caso a parte era o contador, funcionário natural de Senhor do Bonfim. Alcoólatra que se continha sei lá como durante a semana, fumante inveterado, batia os beiços de modo intermitente, feito epilético, quando se debruçava sobre contas e notas fiscais, ao lado da calculadora eletrônica. No entanto, tornava-se boa companhia na ausência do perdigueiro frustrado. Soltava-se, ria, contava boas estórias. Naquela época o pagamento era feito em dinheiro vivo, dentro do envelope, e ele o entregava pessoalmente a cada funcionário. De vez em quando o contador se atrapalhava nas contas. Não conseguia fechá-las e se descabelava. Eu tentava auxiliá-lo, lendo os valores ou digitando-os na calculadora. Mesmo quando o total dava certo, ele mantinha-se encafifado e, sozinho, recomeçava a recontagem pela enésima vez. E os beiços chacoalhavam ainda mais.

Foi na presença dele, quando o perdigueiro frustrado encontrava-se de férias, que um funcionário apareceu no escritório e me pediu para folgar no dia seguinte. Perguntei a razão e o homem respondeu: “Meu renjo quebrou a cantalera”. Pedi em vão socorro com os olhos ao contador. Sem entender ou saber como proceder, eu autorizei a folga. Assim que o trabalhador saiu, me virei e solicitei a tradução ao colega. Rindo aos soluços me disse tranquilamente: “Ele quis dizer que o genro dele quebrou o ombro”.

O motivo mais comum do pedido de folga era, no entanto, para “tirar o piso”. O contador, ou quem mais estivesse presente no momento, comentava, às gargalhadas, somente para me provocar, logo após o funcionário deixar a sala: “Coitado, ganha pouco, mal dá para comer e todo o ano é a mesma coisa, retira o piso da casa e o substitui por um novo”. Ainda riu muito antes de me explicar que os funcionários precisavam ir à cidade para “retirar o PIS”.

Nem sempre eu conseguia evitar os encontros com o contador em Senhor do Bonfim, aos fins de semana. Invariavelmente embriagado e com os olhos úmidos e avermelhados, ele agia como legítimo bêbado chato. Abraçava-me na rua, insistia para que eu sentasse e bebesse com ele, exibia olhar perdido, jurava ser meu amigo do peito, perguntava se eu era amigo dele tanto quanto ele era meu, falava com o rosto bem próximo, repetia dezenas de vezes as virtudes da amizade, especialmente da nossa. Não adiantava eu avisar que ele já contara essa ou aquela estória. O alerta funcionava como combustível e ele a repetia novamente. E a cada repetição da estória, se aproximava mais, me abraçava forte e bradava “me escute, me escute, você é meu amigo, você é meu amigo, me escute, me escute...”. Me libertava daquela tortura somente quando ele ia ao banheiro ou se dirigia ao balcão do bar para pedir outra. Eu escapava dali sem me despedir, aliviado, virando a esquina rapidamente. Na segunda-feira, ao retornarmos ao alojamento da caatinga, ele me tratava normalmente, sem quaisquer referências ao acontecido. Certamente não se lembrava de absolutamente nada do que acontecera.
continua...

17 comentários:

  1. Olá, encontei o teu blog e estou me divertindo com as histórias e estórias

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  2. Olá, Marcia Ramos, obrigado pelo comentário.
    Tem muita coisa publicada no blog que vai interessar a você, do Brasil, do exterior, de relatos de viagens ou memórias de quando morei e trabalhei aqui ou ali.
    Comente sempre.
    Abraços!

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  3. Legal, estou vendo aos poucos.
    Conheço uma boa parte dos lugares por onde você passou, inclusive a trabalho e consigo visualizar algumas coisas.

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  4. Maravilha!
    Então terá que me contar como foi para confrontarmos as situações.

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  5. Combinado.
    Percebo que em alguns relatos a época em que passamos foram bem distintas.

    À medida que for lendo vou pontuar. Mas nem de longe terá uma avaliação de cunho semelhante ao teu. Pois, hoje em dia, prefiro viajar e fotografar, que é minha paixão, apesar de não trabalhar com isso.

    Ah, você tem uma preferência clara pelo Norte e Nordeste. E as outras regiões, não merecem uma avaliação?

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  6. Também prefiro viajar e fotografar. Mas não resisto a registrar as experiências também em palavras, frases, textos.
    Em que área atuava na região e em que época?
    Viajo e gosto muito também do sudeste. Embora numerosas, as viagens foram curtas, nas quais não me preocupei em escrever. Pena...

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  7. No interior NE há quase 20 anos (Zona da Mata de PE, depois Agreste por um bom tempo) e no sul do Amazonas estou finalizando um trabalho de 2 anos na área de saúde infantil. Situação socio econômica semelhante, ausência de políticas publicas efetivas, o eterno faz de conta do Brasil,mas alguns problemas diferentes entre as duas regiões. Enfim, uma boa experiência e a certeza de que muito há que melhorar.

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  8. A Saúde é bem mais nobre que a mineração.
    Talvez eu vá ao sul do Amazonas em abril. Subirei algum rio da margem direita do Solimôes.

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  9. Ah, isso depende. Qualquer uma pode ser nobre, desde que o que se faz não não seja uma relaçao comercial. Eu trabalho e sou paga por isso.É uma simples relação de troca. A minha idéia de nobreza, talvez seja uma pouco diferente...
    Irá a trabalho? Há 2 dias atravessei o Madeira e direção a Porto Velho. A ponte que substituirá a balsa está quase concluída.

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  10. Ponte no rio Madeira em Porto Velho? Não sabia...
    Irei a passeio, e também para aprender mais um pouco sobre a região.

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  11. Uma grande ponte e duas usinas, sabia? Imagine os impactos.

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  12. Das duas usinas, Jirau e Santo Antônio. Como poderia esquecer dessas obras tão questionáveis social e ambientalmente? E das diversas greves dos trabalhadores contra as péssimas condições de trabalho nas construtoras.
    E a ponte, claro, virá do eixo da barragem.
    Será que a população foi consultada ou esclarecida dos reais efeitos dessas obras?
    E também disseram a elas a quem vai servir tanta energia gerada?

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  13. A ponte, sim. Creio que beneficiará o pessoal que precisa fazer a travessia e depende dos "barões" donos das balsas. A energia das usinas, é sabido,não será para eles. Com certea para quem vive no sul e sudeste. Cá entre nós, você poderá ser um dos beneficiados...
    (Desculpe-me pela brincadeira.

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  14. A questão não é para qual região do Brasil vai, mas para quem.
    As grandes empresas, brasileiras e estrangeiras, sobretudo as eletrointensivas, que já pagam bem menos que nós, é que receberão essa energia gerada, quase de graça.
    E isso vale para Jirau, Santo Antônio, Belo Monte, a do Tapajós, entre tantas outras.
    O Brasil não tem déficit de energia, mas deveria procurar outras fontes de geração.
    Obras faraônicas, desnecessárias, causando impactos socioambientais, expulsando comunidades tradicionais, empregando mão de obra quase escrava, a fim de gerar energia para corporações que não beneficiam em nada o povo brasileiro.

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  15. É fato, o governo brasileiro (melhor seria: os que têm governado o Brasil) sempre serve de bom pai/mãe a essas empresas. No entanto uma boa, e não só a afortunada parcela da população brasileira também se beneficia. Afinal ninguém quer viver sem as comodidades da vida moderna. Não conheço quem abra mão, hoje em dia, de ficar sem fone, pc/notebook, e tudo o mais que é prazeroso, depois de tomar contato com essas e outras brincadeirinhas, em detrimento do gasto energético. Para não falar do que realmente é essencial e tem facilitado a vida das pessoas, mas que, infelizmente, cobra um bom preço por isso. É uma viagem sem volta.

    Quando vir quem prefira viver sem todos esses penduricalhos que tanto desejamos, aí sim, poderei deixar de acreditar que essa seja uma viagem sem retorno ao ponto de partida.
    Eu não tenho soluções e você teria alternativas?

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  16. Não sou fatalista.
    É claro que eu e milhões de pessoas temos alernativas para tudo.
    Mas as soluções alternativas não sairão por aqui, virtualmente, pela internet.
    Essas e outras questões podem e devem ser resolvidas ao vivo e em cores, coletivamente, organizadamente.
    A mídia da classe dominante distorce ou não divulga, mas exemplos não faltam.

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  17. Sinceramente, não vejo a população atual, pelo menos deste país, interessada em qualquer tipo de organização que não seja para oba-oba.

    E da outra população, aquela que finge que trabalha em Brasília, pior ainda.

    Não me refiro a soluções a serem resolvidas por aqui (internet). Refiro-me a atitudes que se pode ter para tentar mudar um pouco o estado de coisas.E neste caso, individualmente.

    Para mim é de pouca importância o interesse que a mídia possa ter. O que me interessa é o que se terá de benefício, e só. Propaganda é para quem quer vender alguma coisa (do comerciante ao político).
    Mas podemos deixar isso para lá, afinal aqui é um lugar de obsevações sobre viagens.

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