quarta-feira, 14 de julho de 2010

Porque os brasileiros não visitam a Amazônia? (parte 2/3)


Hoje postarei as características físicas e a ocupação humana da Amazônia. Na próxima postagem será a vez da situação atual e algumas conclusões.

CARACTERÍSTICAS FÍSICAS


O Ecossistema da Amazônia brasileira, exceto as zonas de transição ao Cerrado e à Caatinga, possui cerca de 3,7 milhões de quilômetros quadrados, 43% do território do Brasil, mais de 11 mil quilômetros de fronteiras internacionais, ocupando os estados de Rondônia, Acre, Amazonas, Roraima, Pará, Amapá e partes dos estados do Maranhão, Tocantins e Mato Grosso.

A Amazônia não é homogênea geograficamente. Inclui diversos tipos de relevos, solos, florestas, cerrados, várzeas, campos e zonas de transição. As matas de terra firme ocupam 96% da área. As florestas ombrófilas, densas e abertas, predominam em quase 80% da área do ecossistema sobre os campos e cerrados. Embora apresente altas temperaturas e umidade, típicas de regiões equatoriais, ela conta com variações climáticas, indo de regiões muito úmidas, praticamente sem períodos de seca, até as com estações secas longas e definidas.

Os milhares de rios e afluentes que cortam a Amazônia formam a maior bacia hidrográfica do planeta. Eles concentram perto de 20% das águas doces superficiais e líquidas da Terra. O potencial mineral da região ainda não foi completamente estudado e avaliado.

O diversificado solo amazônico caracteriza-se pela baixa fertilidade em 89% da área. A biodiversidade prospera principalmente devido à reciclagem dos nutrientes pelos seres vivos, vegetais e animais, próximos à superfície. O frágil equilíbrio do ecossistema garante a auto-sustentação pelas diversas cadeias alimentares que reaproveitam tudo, pelos ciclos da água, carbono e nitrogênio. As árvores contam com raízes pouco profundas, mais horizontais que verticais. Quando ocorrem desmatamentos, o solo fica exposto às chuvas e ao sol, provocando endurecimento do solo, erosão e remoção da fina camada de matéria orgânica. Em outras palavras, o ecossistema sobrevive somente com a floresta em pé.

Região de maior biodiversidade do planeta, porém pouco conhecida, a Amazônia contém mais de 25% das variedades de espécies vivas do planeta, distribuídas irregularmente e até endemicamente. Estimativas conservadoras dos números de espécies catalogadas apontam 1,5 milhão de vegetais, 3 mil de peixes, 163 de anfíbios, 500 de répteis, 950 de pássaros, 311 de mamíferos. Esses números crescem constantemente em função de novas pesquisas.


OCUPAÇÃO HUMANA

Contrariando as lendas, a Amazônia não era e nem é desabitada. Há pelo menos 12 mil anos existem vestígios de presença humana na região. Somente no vale do rio Amazonas, antes da invasão dos europeus no século XVI, viviam cerca de 1 milhão habitantes, distribuídos em mais de mil etnias e línguas diferentes, em complexas estruturas sociais e em total harmonia com a natureza. Era a região mais populosa do Brasil. Quase todos foram dizimados, pelas armas, doenças ou missões religiosas. Com eles perdeu-se a sabedoria adquirida em milhares de anos. Restam hoje apenas 210 mil sobreviventes em 150 povos distintos, 30% dos quais em áreas urbanas. A maioria encontra-se em situação desesperadora.

Estabelecidos nas várzeas dos rios, os caboclos ou ribeirinhos, os quilombolas, herdaram parcialmente os conhecimentos dos povos indígenas. Vivem integrados com a natureza e retiram dela o necessário para sobrevivência, sem destruí-la.

Durante séculos, depois do genocídio dos povos nativos pelos invasores europeus, a situação pouco mudou na Amazônia. A partir do fim do século XIX, com o ciclo da borracha, os olhos se voltaram para a região. Mesmo assim apenas parcialmente. Somente após o golpe civil-militar de 1964 passam a surgir estratégias de intervenção massiva, sempre sob o falso pressuposto de ocupar imensas áreas desabitadas. As conseqüências da entrada do capitalismo na Amazônia mostraram-se catastróficas.

Em quarenta anos a população da Amazônia multiplicou por quatro, atingindo 20 milhões e tornou-se majoritariamente urbana. Estima-se que mais de 1 milhão de pessoas migraram para a região nas últimas três décadas.

A grilagem de terras garantiu a invasão de milhões de hectares pelo agronegócio e grandes latifundiários, avançando sobre terras devolutas e pequenas propriedades familiares. A concentração da terra na mão de poucos deixa um rastro de sangue pelos constantes assassinatos de trabalhadores rurais ou os empurra para a periferia das cidades. Esses novos habitantes, vindo de outras regiões do país e mesmo estrangeiros, nada entendem da Amazônia e encaram o ecossistema original como obstáculo. As primeiras medidas para se considerarem proprietários das terras invadidas são a cerca e a derrubada da floresta.

continua...

Nenhum comentário:

Postar um comentário